quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A special evening at the Institut français de Vienne: September 17th, 2014


Normally „As Tertúlias“ is a space dedicated to culture itself, not to social notes connected with it…

But this time I must talk about an irresistible “Happening” to which I also had the pleasure to be invited to: On September, 17th a very special event took place at the Institut français de Vienne .


Mrs. Ingeborg Tichy-Luger, president of the “Ballet Club of the Wiener Staatsoper & Volksoper” welcomed Monsieur Manuel Legris, many of his dancers of the Wiener Staatsballet as well as some selected, distinguished guests, at the Institut français de Vienne, part of the cultural department of the French Embassy in Vienna.


The reason? A very happy one: an Opening Party for the Ballet Season as well as a celebration of the 15th Anniversary of the Ballet Club. A lovely Party!

Among the (many) dancers were (alphabetically) Rafaella Albuquerque S’Antanna, Leonardo Basílio, Davide Dato, Tainá Ferreira, Alice Firenze, Nikisha Fogo, Maria Iakovleva, Rebecca Horner, Liudmila Konovalova, Eszter Ledan, Igor Milos, Suzan Opperman, Eno Peçi, Flavia Soares, Richard Szabo, Dima Taran & Géraud Wielick present at the Party!


The beginning of a new Season that promises to be very exciting and in which “Swan Lake”, “Mayerling” (MacMillan), “Meistersignaturen” with works by Jiří Bubeníček, John Neumeier, George Balanchine and Rudi van Dantzig, “Romeo and Juliet” (Cranko), “BALLETT-HOMMAGE“ with works from William Forsythe, Natalia Horecna and Harald Lander, „The Nutcracker“ among others will be presented to Viennese Audiences!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

One special Summer: Jacqueline & Lee Bouvier


Sempre admirei a cultura, o “Savoir-Faire”, o fino trato de Jacqueline Kennedy Onassis, Jackie “O”…


Mulher de extrema inteligencia, perspicácia, senso para as artes, cultura… em alemão a expressão «kultiviert» (literalmente «cultivada» e não só «culta») se aplicaria com mais precisão àquela que transformou a Casa Branca num palácio real – o que famílias como Reagan, Bush & co. desfizeram, colocando obras de arte nos porões, desfazendo-se de verdadeiras «jóias».
Mas esta já é uma outra estória… que provávelmente jamais será escrita nas «Tertúlias».

Infelizmente «Nobody’s perfect» e, como alguém colocou uma vez muito bem, ela cometeu o erro de se casar com “aquele anão grego horroroso”.
Também outra estória…

No verão de 1951, dois anos antes de casar-se com John Kennedy, Jacqueline (22) e Lee (18) Bouvier convenceram sua mãe (depois de meses) e finalmente embarcaram sós no Queen Elizabeth para alguns meses de férias/aventuras na Europa…
Jackie já havia passado um ano em França e suas cartas/cartões/relatos muito inspiraram sua irmã mais jovem (que por sinal ainda está viva, acho que em Paris).


O relato desta viagem (um “journal” que foi dado aos pais, como uma espécie de “Obrigado”) foi, de forma muito criativa, preservado num livro…

Relançado há alguns anos (sua primeira edição é de 1974), esta “jóia” ainda está “viva” e é um real prazer folheá-la, saboreá-la… quanto carinho colocado nos sketches, quanto humor nos comentários, quanta comédia dentro das situações e confusões nas quais as duas “moças de boa família” se envolveram… e tudo com muita classe, muita distinção…
"Entre nous": qualidades que com o passar dos anos tornam-se a cada dia mais raras.
De novo: uma outra estória…

Recomendo! Entrem na próxima biblioteca ou encomendem na Internet... Vale a pena!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Vivien Leigh, Shakespeare e o "castigo" da beleza...

Ando numa fase na qual redescubro Vivien Leigh; atriz que muito admirei e pesquisei a partir dos anos 80 mas que, de certa forma, tinha caído no meu esquecimento.

Não penso na Vivien, que para muitos é um cliché cinematográfico com sua (por sinal maravilhosa) Scarlett O’Hara de “…e o Vento levou” (Gone with the Wind, 1939).

Nem no seu papel mais duro e cruel (por sua saúde mental ser muito identica à da personagem): Blanche Dubois de “Um Bonde chamado desejo” (A Streecar named Desire, 1950).

Estou ainda “anos luz” de distancia de lindos desempenhos como a linda e doce Myra na “A ponte de Waterloo” (Waterloo Bridge), a infiel e apaixonada Anna Karenina, a jovem, aprendiz Cleopatra (de "Cesar & Cleopatra" de Shaw) e a egoísta, ambiciosa Lady Hamilton em “That Hamilton Woman. Grandes desempenhos… sem dúvida…

Penso porém na Vivien dos palcos.


Especialmente na Vivien que tanto compreendia Shakespeare (como muitos contaram, por exemplo de sua esplendida Lady McBeth) e na Vivien que tinha dois “defeitos” que lutavam contra ela: uma voz fraca (que ela aprendeu a dominar, de certa forma e desenvolver) e, o pior dos erros para uma atriz séria da época: sua magnífica BELEZA… por vezes até assustadora em seu esplendor: por causa dela não era levada a sério…

Vejam este curto relato fotográfico de algumas de suas performances Shakespearianas ao longo dos anos… e falem-me de sua impressão…

(Titania em "Sonho de uma Noite de Verao"/Midsummer's Night Dream/1937)

(Ophelia am "Hamlet"/1937 com Laurence Olivier)

(Juliet em "Romeo and Juliet"/1940, mais uma vez com Laurence Olivier)

(Lady Anne em "Richard III"/1948)

(mais uma vez Lady Anne)

(como Lady McBeth na famosa cena de sonambulismo de "McBeth"/1955)

(Lady McBeth)

(Lady McBeth... como este seu desempenho me interessaria...)

(a ainda composta Lavinia de "Titus Andronicus"/1957)

(a já decomposta, miserável Lavinia em "Titus Andronicus" / 1957 - época na qual andava doentíssima... imaginem a pressão psicológica em fazer este papel... )

(Viola em "Twelfth Night"/1961)

O que mais dizer? Está tudo aí... escrito nesse rosto...

sábado, 9 de agosto de 2014

Catherine Sauvage: Nana's Lied (Brecht & Weill)

Dentre as composições da parceria de Bertolt Brecht & Kurt Weill, a minha "all time-favourite" ainda é “Nanas lied”, uma quase homenagem ao meretrício…

Traduções, diz-se, nunca são tão boas quanto os originais ou tão fiéis às idéias originais do autor... pode até ser verdade, pois neste caso a tradução ao frances é, no meu ponto de vista, infinitamente superior ao original em alemão…
Tudo isso fácil de explicar-se: simplesmente pelo fator idiomático muito mais emoção “transborda” de Nana e vem à tona nos tocar...


Por exemplo, o que no original ela, referindo-se à si mesma e à sua “luta” diária, nos conta

Wo sind die Tränen von gestern Abend ?
Wo ist der Schnee vom vergangenen Jahr ?W

(Onde estão as lágrimas de ontem à Noite?
Onde está a neve do ano passado ?)

é maravihosamente (e musicalmente, em termos de sons, principalmente vogais) traduzido em

Hier tu pleures, où sont tes larmes ?
Où est la neige qui tombait l'an dernier ?

O que mais dizer? (Procurem talvez o original em alemão... interessante comparar...


Parte de um eterno disco (que me acompanha já ha quase uma vida inteira!) da brilhante atriz/cantora Catherine Sauvage (1929-1998), «Nanas Lied» se destaca – ou pelo texto melódico ou por seus acordes cheios de emoção que transformam a real (e trágica) situação de sua intérprete num momento de poesia para o espectador/ouvinte…

Brilhante…

Au rayon des amours à vendre
On m'a mise à dix-sept ans
Je n'ai pas cessé d'apprendre
Le mâle était dieu
Et je jouais le jeu
Mais j'en ai gardé gros sur le cœur

Et en fin d' compte, je suis un être humain

{Refrain:}
Dieu merci, tout passe ici bien vite
Passe l'amour et passent les regrets
{x2:}
Hier tu pleures, où sont tes larmes ?
Où est la neige qui tombait l'an dernier ?



On a moins de peine à se vendre
À mesure que passe le temps
Les clients se font moins attendre
Mais les sentiments ne sont plus très ardents
Quand on les gaspille à tous les vents

Et en fin d' compte, mes réserves s'épuisent

{au Refrain}

Au rayon des amours qu'on paie
On a beau comprendre vivement
Transformer l' désir en monnaie
C'est jamais marrant
On s'y fait pourtant
Mais un jour, la vieillesse vous surprend

Et en fin d' compte, on n'a pas toujours dix-sept ans

{au Refrain}

domingo, 3 de agosto de 2014

“O criado” (The Servant, 1963, Joseph Losey)


“O criado” (The Servant, 1963, Joseph Losey) representou para mim uma das experiencias mais inquietantes e angustiantes pelas quais passei nas últimas semanas…


Um filme cheio de desconforto psicológico para alguns dos personagens (outros usam e abusam do direito de criar este desconforto… ) mas principalmente para o espectador, que está “preso” fora da tela e por este motivo “de mãos atadas”, impotente.

À parte da trama principal me fascina a visão de Losey sobre a “reversão de papéis” - a mesma reversão pela qual Elizabeth Taylor e Mia Farrow passam em “Cerimonia Secreta” (Secret ceremony, 1968) e sobre os papéis da classe rica dominante e dos serventes - o mesmo “jogo” pelo qual passam Julie Christie e Alan Bates em “O mensageiro” (The go-between, 1970). Ambos de Losey.

Em “O criado”, porém, ele trata ao mesmo tmepo estes dois temas, que mais tarde enfocaria separadamente. Fascinante!

Tudo isso me fez compreender o porque de Losey ter dirigido em 1973 “A casa de Bonecas” de Ibsen (A Doll’s House), filme que foi considerado na época como material muito distante do seu habitual caleidoscópio… Nora, oprimida por seu marido, uma “boneca” dentro de uma “casinha de bonecas” (claustrofóbica) sempre sendo movida de lá para cá, e daqui para acolá pelos desejos de seu marido – a cena em que baila a “Tarantella” como se o marido tivesse ligado um botao para comandá-la, é mais do que sintomática – termina o filme (a peça) como a vencedora. Livre do subjugo do esposo. Mais uma vez uma completa reversão de papéis…


De volta a “O Criado”: o filme é desenvolvido sobre um roteiro absurdamente simples. À primeira vista. Hugo Barret torna-se empregado do rico Tony. Ambos parecem felizes nos seus respectivos papéis de “Empregador” e “Empregado”. A namorada de Tony, Susan, desgosta imediatamente de Hugo.


Como que por premonição.


A trama complica-se quando Hugo trás sua “Irmã” Vera para trabalhar também como empregada. Vera, que na realidade é a amante de Hugo, seduz Tony. Este se apaixona por ela. A partir deste momento Tony e Hugo (com a maquiavélica ajuda de Vera) vão , pouco a pouco, invertendo seus papéis… Ele torna-se a "boneca da casinha", subjugado pelos dois...


Mas tudo isso de uma maneira tão “suja”, “vulgar” que nada sobra ao expectador a não ser se sentir desconfortável, até envergonhado pela fraqueza de Tony e pela forma enganosa, falsa de Hugo (e de sua cúmplice Vera).

Tony torna-se uma sombra do que foi, incapaz até de articular-se…


Uma das cenas que nos revela o que “ainda está por vir” é a cena do jantar. Tony e Hugo sentados juntos à mesa. Hugo comendo da panela enquanto Tony elogia a comida. Hugo reclamando da comida. Papéis inversos. Tony tentando agradar Hugo, o empregado. Hugo declinando qualquer agrado de seu empregador.


Todo o filme é repleto de curtas cenas individuais que revelam propositalmente o que realmente está acontecendo… Até o uso do tema musical principal (maravilhosamente cantado pela magnífica, eterna, “jazzy” Cleo Laine) é revelador… e como um caleidoscópio, “muda” em cada vez que é tocado.

As atuações de Dirk Bogarde e James Fox, em seu primeiro papél nas telas, (como os principais masculinos) são impecáveis.


Os olhos e sorrisos cínicos de Bogarde “delatando” a verdadeira personalidade de Hugo. Wendy Craig e Sarah Miles (como as secundárias femininas) também perfeitas. Susan a moça fina, de família. Vera, uma sórdida “tramp” de baixo nível, repugnante moralmente, melhor descrita só por palavras de baixo calão.

É óbvio que a real dinamica do filme acontece dentro da relacão, do diálogo entre Hugo e Tony. Os críticos da época “pescaram” e citicaram o sugerido homossexualismo da relação deles. Mas, ainda mais importante do que as duas mulheres secundárias, a presença da “casa” é importantíssima!

A pressão quase claustrofóbica que ela exerce sobre os personagens (e sobre os espectadores) é extraordináriamente realçada pela fotografia/cinematografia em preto-e-branco de Douglas Slocombe. A casa, desta forma, transforma-se num microcosmo de desequilíbrio, inquietude, neurose, batalhas psicológicas e depravação. Um filme doente mas brilhantemente encenado/dirigido.

Quando o filme terminou permaneci sentado no meu sofá, no silencio barulhento de uma noite fria de chuva de verão vienense. Só para recolocar a cena final, as últimas imagens - Aquela sombra do que Tony foi é trágica… aquela sombra que Hugo planejou e executou com auxílio do álcool, tão íntimo “amigo” de Tony e ferramenta de extrema importancia no plano maquiavélico do "servente".


Obra-prima de Losey!

Mas repito: uma das experiencias mais inquietantes e angustiantes pelas quais passei nas últimas semanas…