sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Liza Minnelli: Quiet Love (Charles Aznavour)

Reecontrei este – para mim – já há muito esquecido video de Liza.
Milhões de memórias voltaram instantaneamente.
Me lembrei do tempo em que descobri este show e esta maravilhosa interpretação.
Do jovem que eu era.
Do emocionado que fiquei ao ouví-la pela primeira vez.
De quem eu era então…


Amo quando Minnelli nos “conta” essas estórias.
Ela tem essa capacidade fenomenal de transformar qualquer canção numa narrativa, interpretando-a, contando-a, vivendo-a…
E nos leva com ela, nessa maravilhosa jornada de fantasia, emoção, vida…
Sempre relatando e contando ela cria um mundo imaginário onde conseguimos ver pessoas, salas, esquinas, casas o tempo passando…
Tudo palpável apesar de abstrato.
Gosto desta Liza...
A cantora atriz, atriz cantora… sensível, vulnerável... profunda, meditativa...

“Quiet Love” de Charles Aznavour.
O mistério do amor… Inexplicável, espontaneo, puro, imprevisível, lindo…


(Nos anos 80 eu tinha um sonho: queria passar uma tarde na casa de Montserrat Caballé, mais precisamente em sua cozinha, conversando todo tempo ela, enquanto ela preparasse um prato maravilhoso… Tenho que admitir que a atmosfera da cozinha, os pratos de pasta e a simpatia de Monserrat eram a atração...


Hoje eu gostaria de me sentar na sala de Minnelli e ouví-la por horas. Não me importaria o tema… Como os visitantes de Tanja Blixen em “Out of Africa”, adoro uma estória bem contada… E Liza sabe como contá-las e cantá-las… e vive-las... A atração hoje em dia é a união da emoção, da delicadeza de alma à experiencia de vida...
)

Aqui para voces "Quiet Love", uma canção ao mesmo tempo emocionada e contida. Lindo trabalho...



Detalhe interessante: Minnelli em épocas mais recentes no Actor's Studio com "Quiet Love".

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

REMEMBERING: Susannah York & Michael Sarrazin

Pensando em dois queridos atores que perderam a luta contra o cancer ano passado...

A linda e versátil Susannah York





(Se eu tivesse que escolher um papel, do vasto trabalho de Susannah, como meu preferido, o páreo seria duro… Seu personagem em “They shoot horses, don’t they?” - porque ela vai se desfazendo, se desmantelando aos poucos, acabando, deixando de existir, morrendo...) ou sua vulnerável e delicada e forte (isto ao mesmo tempo) “Jane Eyre”, para mim a melhor interpretação de Jane até hoje… e quantos filmes já foram feitos sobre este livro. Ah! Quase esqueci... outra interpretação sua maravilhosa: uma das irmãs em "The Maids" de Jean Genet - ao lado de outro ícone ingles: Glenda Jackson. Conhecem esta negligenciada obra-prima?)

E o talentosíssimo e de certa forma enigmático Michael Sarrazin.




(Não esqueço de Sarrazin em alguns outros trabalhos: “Frankenstein” (ele era o monstro e Dr. Frankenstein era Leonard Whitting, o “eterno” Romeu da versão de 1968 de Zefirelli), “For Pete’s sake” – ótima comédia ao lado de Streisand – e uma esquecida série de TV ao lado de Lesley-Ann Warren: “Beulah Land”. Bons trabalhos!)

Lembrei-me que os dois trabalharam juntos num dos meus filmes preferidos… “They shoot Horses, don’t they?” baseado na novela homonima de Horace MacCoy (Mas não se mata cavalo?).



Esta suprema obra cinematográfica foi filmada em 1969 e, para mim, significa o primeiro papel “bom” de Jane Fonda (Não estou porém certo se “A casa de Bonecas” foi realmente filmado antes… “Klute”, com o qual ganhou um Oscar, foi definitivamente filmado um ou dois anos depois… ). “Horses” foi um grande passo para Fonda. Vinda de papéis bem moldados numa imagem de “sex-symbol” como “Barbarella” de Vadin, ela, como “Gloria”, seu papel em “Horses”, provou ser atriz e que atriz…

Mas jamais poderemos nos esquecer de Susannah e Michael… Maravilhosos, talentosos, importantíssimos para este filme… Personagens de extrema importancia!



e o trailer de "Horses" da época! Cinema... Bom Cinema!



Fotos do filme dizem mais que mil palavras…
Que maravilha esta época na industria cinematográfica americana… quantos passos “para trás” teremos ainda que aguentar ao assistir todas estas bobagens que estão sendo feitas hoje em dia???
Como um "relato" em termos de história, aqui abaixo, as fantásticas fotos do magnífico Bob Willoughby.


(Fotos copyright: Bob Willoughby)

2011 levou estes dois grandes talentos...

Susannah York: 9.1.1939 – 15.1.2011


Michael Sarrazin: 22.5.1940 – 17.4.2011

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Cyd Charisse, Gene Kelly e amizades & decepções: It's always fair Weather...

Quem assistiu „On the Town“ (Um dia em Nova Iorque, MGM 1949) deve ter-se perguntado alguma vez: “E o que aconteceu com estes tres marujos durante e depois da Guerra?”
A Metro pensava em produzir “It’s always fair Weather” como uma continuação de “On the town”, inclusive pensando em usar os tres atores principais de “Town”: Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin.


Depois da Guerra tres “camaradas” fazem um pacto para reencontrarem-se dez anos depois…
Esta é a linha principal do roteiro de “Fair Weather”.

Um filme razoávelmente esquecido, ele reune os talentos de Kelly, Michael Kidd (numa rara aparição cinematográfica) e o veterano Dan Dailey (ainda em grande forma) como os tres “marujos”,


Dolores Gray (que não teve realmente a carreira que merecia pois a era dos musicais chegava ao final e o trabalho de uma “belter” não era, na época, requerido fora do cinema musical. Estávamos ainda “anos luz” de Streisand e Minnelli)


e a magnífica Cyd Charisse, aqui num papel relativamente pequeno com um único número de dança… Fato este que nunca realmente compreendi… (Charisse vinha na época de recentes aparições de muito sucesso em “The Band Wagon”, “Deep in my heart” e “Brigadoon”, tres filmes de 1954 nos quais ela mais uma vez provou seu grande talento! Charisse ainda tinha reservadas para seu futuro maravilhas, jóias cinematográficas como “Silk Stockings” com Fred Astaire, mas esta é uma outra estória)


Concebido pelos magníficos Betty Comden e Adolph Green (responsáveis por “On the Town”, “Singin’ in the rain” entre tantos outros) o filme não poderia ter melhores credenciais. Mais uma vez Kelly co-dirigiu um filme ao lado de Stanley Donen – que vindo de sucessos como “Seven Brides for seven brothers” não estava realmenre muito interessado em dividir os créditos do filme com Kelly).

“Fair Weather” é um filme que passa uma certa “desilusão” com a vida: os tres companheiros de “antes” se encontram dez anos depois só para perceber que nada mais tem em comum… sómente a desilusão com a vida.

É exatamente este o tema principal do filme: como o tempo transforma as amizades

Não estou 100% de acordo - tenho muitíssimos amigos, sinceros, queridos, de toda uma vida - mas tenho que admitir que às vezes isso acontece… semana passada percebi esse fato numa "ex-colega" do “científico”… pessoa que se chamava minha "amiga" - apesar de eu nunca te-la realmente considerado assim. Existem pessoas amarguradas, insatisfeitas – talvez até pelo próprio visual, pelas "personas" obesas e feias em que se transformaram – que só sabem ser invejosas e "esborrifar" veneno… Que falta de psicologia - rsrsrs (she'll understand that) levar a vida assim!!! Tenho pavor de inveja! Pois quem a tem destroe a si mesmo! Lembram de sallierei? Not necessary to say que a infeliz não mais faz parte do meu círculo de conhecidos... Cortei-a da minha vida. Destas pessoas me distancio! E tenho coragem de admití-lo!

Bem, de volta ao filme: uma cena fantásticamente desilusionada (sorry... correction: desiludida... desilusionada é castellano...) reune os tres amigos, que (no filme) já haviam cantado sobre serem amigos até a morte, numa canção que descreve a decepção de estarem juntos no presente…

O melhor porém é que cada um, reconhecendo que os dois outros não são o que ele esperava, percebe em si mesmo que ele também não se transformou na pessoa que um dia quiz ser… Decepções…
Esta agussada percepção cínica transforma este “musical entertainment” num filme bem mais “escuro”, bem mais “negro”, bem mais “desilusionado” (correction: desiludido) do que a maioria dos musicais da Metro.

Mas o filme tem momentos de puro “joy”. Gene Kelly sapateando sobre patins de roda (será motivo de uma futura "tertúlia”),


os tres marujos dançando desenfreadamente na rua e sapateando com tampas de latas de lixo presas nos seus pés e a magnífica Dolores Gray, numa incrível crítica à televisão, como uma apresentadora canastrona, exageradamente piegas e nada sincera do programa “Midnight with Madeline”: o cliché da televisão ao vivo, dos programas “verdade” da época… só que 57 anos depois a televisão ainda é a mesma coisa… pensem nos talk-shows, pensem da TV Globo aos U.S.A.!!! Incrível… Nada mudou!


Para mim porém o melhor momento musical do filme é quando Charisse sobe a um Ring de Box para dançar “Baby, you knock me out”.
Momento maravilhoso, apaixonante de um musical inesquecido.
Charisse hipnotiza com tanta classe, energia, técnica, talento…
Ela ainda é, e sempre sera, a minha “rainha” do musical…
Um real “Nocaute”, como se dizia no Brasil… (lembram no Brasil do “Telecatch patrocinado pelo rum Montilla????)


Charisse, you still knock me out!!!!!!!

(A cena é um pouco longa... à partir do terceiro minuto Cyd começa a dançar!!! Puxem a cena para o terceiro minuto!)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Celebrando Debora Growald e sua arte!

Celebrando minha amiga Debora Growald....

Não vou escrever muito pois o foco central desta “tertúlia” está na arte e talento da minha querida amiga de (quase) toda uma vida.


Nosso reencontro em 2010 em Paris, onde reside, foi de extrema importancia para mim: revelou-me de novo que sentimentos verdadeiros não podem morrer, não acabam… Como alguém genialmente disse: "Amizade que acaba é porque não era!"


Tudo o que esta “menina” toca (e não só refiro-me ao “tocar piano”) se transforma numa obra de arte… da música de Rachmaninoff à “Forelle” de Schubert – na qual dançou… Sim foi a dança contemporanea que “selou” nossa amizade no final dos anos 70 no Rio de Janeiro: esta menina não faz de tudo mas o que faz, faz extremamente bem!

Uma coisa ainda quero mencionar: é uma obra de arte a forma com que, carinhosamente, cuida das suas amizades. Que sorte tenho de estar incluído nesta lista!

Como disse, o que “toca” transforma-se numa obra de arte!

Celebrando minha amiga Debora Growald!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Grand pas classique: Sylvie Guillem & Élizabeth Platel... Talentos únicos...

Hoje nada de longas postagens ou muitas estórias…

Só um pequeno, simples presente para os „Tertuliadores“, já que estou resfriado e de "molho" em casa...

Eu considero o “Grand pas classique” dificílimo… principalmente pela precisão e «limpeza» técnica que requere. Não é toda bailarina que se atreveu a dançá-lo…


Aqui a maravilhosa Sylvie Guillem, que sempre deu-me a impressão de desafiar algumas leis de gravidade, anatomia e tempo; uma das mais maravilhosas bailarinas que já tive a oportunidade e honra de assistir,


e a não menos talentosa e incrívelmente elegante e nobre (atributo, adjetivo que na maioria das vezes, no ballet, só é concedido ao "Danseur") Élizabeth Platel para voce terem a chance de ver «back-to-back» duas interpretações magníficas, brilhantes! ...mas não de compará-las.

Cada "take" leva a luz e o toque pessoal e único da maravilhosa bailarina que o interpreta!
Ambas "Étoiles" da Opera de Paris...
E tão diferentes...
Como diz em alemão: "Não compare maças com peras"

E aqui "entre nous": nada valería tanta técnica senão combinada com tanta personalidade e "alma"...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

The ladies who lunch...


O talentosíssimo e sensível Stephen Sondheim escreveu esta maravilhosa e perspicaz canção para o seu „show“ de 1970 chamado „Company“… mas vamos dar antes um passeio por New York do início do século passado para sabermos quem são estas “ladies who lunch”


Quando o primeiro “Waldorf=Astoria” foi criado (no quarteirão onde hoje em dia se situa o Empire State Building) abriu-se uma nova “porta” para as Senhoras da sociedade nova-yorkina: finalmente um restaurante, um ambiente digno para senhoras que gostariam de almoçar, sem respectivos consortes, só “entre elas”.
Uma nova possibilidade, um novo horizonte, uma nova dimensão social foi fundada… e foi depois "extremamente bem" exportada...


Como a moda da época usava e abusava das “plumas de pavão” (como o “clothes-horse”, a divina Gloria Swanson “ditava”) em leques, chapéus etc., o salão de encontro das damas foi apelidado de “The peacock room”.
Nome este que foi levado para o atual Waldorf=Astoria.
De quantas fofocas, mentiras e intrigas este "salão" já deve ter sido testemunha...


Foi iniciada uma nova “cultura gastronomica” – desde a decoração até os Menús “for the ladies” (mais leves, mais frugais para manter “a linha” – a waste-line – tão apertada dentro de espartilhos… ).


Bebidas foram criadas (como o famoso “Alexander” que contém um pouco de Brandy mas muito creme-de-leite doce e Crème-de-cacao), flores passaram a "entrar e sair de moda" (!!!???), arranjos para piano dos sucessos da época foram compostos de forma mais floriada e toda uma indumentária para o “lunch” foi idealizada… de mes a mes, de ano em ano... Na realidade o almoço “fora” oferecia às senhoras (como oferece até hoje) uma diferenciação (e um pretexto), em termos de guarda-roupa entre a tarde e a noite… Pensando em termos de economia… Wow!!! Quantos negócios lucraram (e lucram) das “ladies who lunch” até hoje…


The ladies who lunch…

Elaine Stritch cantou este número, que tão bem descreve a filosofia das “ladies who lunch”, na primeira produção de “Company” de 1970.
Sondheim captou perfeitamente a “essencia” destes almoços… fato que me foi confirmado quando uma queridíssima amiga de muitos e muitos anos, já há algum tempo atrás, comentou certos almoços de “ladies” com a seguinte frase:

“Não entendo… Elas falam mal umas das outras, brigam, fofocam, se odeiam, ficam de “mal” e depois saem para almoçar juntas… não dá para compreender…”.
Eu não compreendo.


Existe um esquecido filme, chamado de “Opposite Sex” (MGM 1956), um “remake” de “The Women” (MGM 1940) com June Allyson, Joan Collins, Agnes Moorehead, Ann Miller, Ann Sheridan, Dolores Gray e várias outras, que é cheio dessas cenas “ferinas”… que terminam, muitas vezes, "acabando" com a anfitriã!


Quando, às vezes, uma das atrizes sai de um determinado recinto, onde estão todas reunidas, e as restantes encontram imediatamente um motivo para falar, fofocar… Hilário… mas, pelo que já ouvi, bem verdadeiro…

A abertura de “The ladies who lunch” de Sondheim já diz tudo…

I'd like to propose a toast
Here's to the ladies who lunch
Everybody laugh
Lounging in their caftans
And planning a brunch
On their own behalf
Off to the gym, then to a fitting
Claiming they're fat
And looking grim, 'cause they've been sitting
Choosing a hat
Does anyone still wear a hat?
I'll drink to that


Aqui a fantástica Patti Lupone numa interpretação que ainda considero superior à de Stritch (Stritch, ótima atriz, não canta realmente e Patti tem uma voz, para musicais, abençoada por Terpsícore – não é à toa que foi a primeira “Evita”). Que voz!!!!!!

Meu “Brinde” pessoal para as “Ladies who lunch”! TOGETHER!!!!!!!!!!



Para quem tiver a curiosidade de ver/ouvir Stritch...


domingo, 1 de janeiro de 2012

Um bonde chamado alegria...

Não,não... Não me equivoquei com o título da peça de Tenessee William (Um bonde chamado desejo) não... este realmente chama-se Alegria!

Liza contou um dia que ouviu esta estória de sua mãe, Judy Garland :

Vincente Minnelli revelou confidencialmente à Judy, que ainda não era sua esposa durante as filmagens de «Meet Me in St-Louis» (MGM 1944), que os produtores do filme que rodavam, tinham-lhe entregado (imposto) uma novidade «obrigatória» para o filme: uma canção sobre um «bonde»…


O que ?
Um bonde ???
Meu Deus, o que fazer de uma canção sobre um bonde ?
Como encaixá-la no roteiro ?
Como fazer, por favor, algo viável de um material tão básico?

Este foi um trabalho em conjunto de Judy e Vincente, um trabalho do qual tinham um profundo orgulho… Estas coisas aproximam seres humanos… e como...


Eu simplesmente ADORO esta atmosfera feliz:
das luvinhas azuis, girls and boys of the chorus, Technicolor
aos olhares, voz, risadinhas e sorrisos inconfundíveis de Judy…
Ela irradia felicidade...

Como seria bom se esta atmosfera de alegria dominasse o nosso ano novo…